Quem foi: Fabim e Brunim
Ainda sem a infra-estrutura necessária, lá fomos nós, em busca do desconhecido.
Tudo começou quando nos perguntamos um dia antes da pedalada: Onde vamos?
Como não queríamos asfalto, resolvemos que iríamos na remonta, afinal é um lugar que todo ciclista que se preze conhece. Mas nós nunca tínhamos ido.
Quais eram as alternativas pra ir à um lugar desconhecido?
Simples: Google Earth e pedir informações pras pessoas ao longo do caminho.
Mas não foi tão simples como imaginávamos. Pelo Google achamos um caminho, dentre os muitos possíveis, e traçamos ele como meta.
Saímos de Santa Terezinha 8:00, e partimos com o mapinha da trilha na câmera digital.
Ao chegarmos na entrada da trilha escolhida, adentramos uns 2 km até chegarmos na guarita de um condomínio. O guardinha não quis deixar a gente entrar de jeito nenhum... Esse Google Earth tinha que ser atualizado mais constantemente.
E aí? Já tínhamos subido a serra da Grama, chegado até lá em cima, perdido esse tempo em caminho errado. Seria lógico a gente descer e procurar um caminho melhor para outro dia voltarmos. Mas as coisas muito planejadas não são tão emocionantes, e resolvemos que descobriríamos a entrada da remonta de qualquer jeito, nem que chegássemos em casa de madrugada.
Voltamos ao trevo de Grama, pedimos umas informações e subimos um barranco cheio de cascalhos. Quase o clip me derruba. Depois entramos no Parque Independência.
Dentro do bairro pedimos informações, umas erradas que nos levaram a subir morros desnecessáriamente, e umas certas, que finalmente nos levaram à entrada tão esperada. Esta:
Foi muito bom ver que a partir daquele momento só teria terra e mato.
Logo no início fomos atacados por um trio canino, mas eles eram pequenos e o dono deles estava perto.


Continuamos a desbravar aquela que era nossa primeira trilha propriamente dita, e o fato de estarmos em um local totalmente desconhecido, fez o percurso ficar muito melhor.
Não sabíamos se estávamos no caminho certo nem quantos km faltavam.
Passamos por bois e enxames de abelha, mas não fomos atacados por esse bichos. A mais malvada criatura ainda estava por vir...
Passamos por vistas maravilhosas como esta:

E umas descidas bem inclinadinhas, como esta:

Com a incerteza do caminho e a eminente chuva, continuamos o percurso.


Ao final da trilha, tinha uma bifurcação, e nós, como não conhecíamos a trilha e iluminados pelo nosso querido Murphy, escolhemos o caminho errado.
Andamos algo em torno de 500m, e chegamos em uma cerca, com um buraco... O diálogo entre a gente foi exatamente esse:
- E aí? vamos passar a cerca?
- Num sei não...
- Ué, essa cerca deve ter esse buraco aí justamente pra ciclista, afinal muitos vêm aqui...
- Então vamos.
(e antes de a gente dar um passo sequer)
- Coooorre!!!!!
Era um cachorro gigante (pelo menos naquele instante ele pareceu gigante) que simplesmente brotou no buraco da cerca.
O terreno era muito acidentado, e não deu pra sprintar. Caí uns metros depois, e o Brunim também. O mato tinha 2 metros de altura. Não dava pra ver nem o cachorro nem o Bruno. Saí correndo até chegar na beira da represa. Se ele viesse eu ia ter que pular.
Alguns segundos de apreensão e não tinha mais sinal do cachorro.
Esperamos um pouco para procurar um ao outro, afinal qualquer barulho incitaria o cão. Quando nos encontramos novamente tivemos que traçar um plano para pegar as bicicletas, que estavam em território canino. Fomos um de cada vez, com bambus na mão, e pegamos as magrelas sem que o cachorro fosse visto.
Até hoje me lembro da frase do Bruno: "Prefiro levar mordida desse desgraçado do que deixar minha bicicleta lá..."
Depois de pegar as bicicletas, nós nem lembramos da bifurcação que tínhamos passado. Para nós, naquele momento estávamos perdidos, e as opções eram subir o morro com as bicicletas no ombro ou voltar todo o caminho (uns 8km).
Infelizmente, como o dia estava sendo de decisões erradas, partimos morro acima com a bicicleta no ombro, pois tinha muito mato e no pasto não dava pra pedalar. Chegamos a ver um ônibus lá de cima, mas do outro lado do morro tinha uma ribanceira, e tivemos que voltar o morro todo novamente. Essa foi a pior parte do trajeto. Perdemos mais de 1 hora desde que o cachorro atacou.
Resolvemos então voltar o caminho. Na queda da fuga do cachorro, minha bicicleta capotou e caiu de lado, empenando a roda bruscamente. E, desolados e com vários hematomas, seguimos o caminho de volta. Mas antes paramos para comer alguma coisa.
A felicidade veio ao chegarmos na bifurcação esquecida. Era uma esperança... Seria aquele o caminho certo? Quase não pegamos o outro caminho por causa das outras decisões erradas, mas fomos assim mesmo. A sorte finalmente ficou do nosso lado, e menos de 1km depois estávamos no asfalto! Foi uma das melhores sensações da minha vida ciclística...